Restauração contesta Pereira: crise invisível nas estatísticas

Source: observador.pt

TL;DR

The story at a glance

A AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal) responde ao governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, que questionou a crise na restauração com base em dados do INE mostrando crescimento. A associação destaca assimetrias em microempresas familiares e "encerramentos silenciosos" não captados nas estatísticas. Isto surge um dia após o post de Pereira nas redes sociais, em 20 de abril de 2026.[[1]](https://observador.pt/2026/04/21/restauracao-responde-a-duvidas-de-alvaro-santos-pereira-ha-uma-crise-que-as-estatisticas-nao-medem/)

Key points

Details and context

A AHRESP explica que análises macroeconómicas baseadas em dados agregados do INE não captam a realidade de microempresas familiares, comuns em territórios de baixa densidade, com menor poder negocial e resiliência face a custos crescentes de três anos, ligados a conflitos internacionais.[[1]](https://observador.pt/2026/04/21/restauracao-responde-a-duvidas-de-alvaro-santos-pereira-ha-uma-crise-que-as-estatisticas-nao-medem/)

Estes negócios têm função social além do emprego, atuando como pontos de referência em comunidades. A associação apela a políticas que olhem para o terreno, preservando o setor como pilar económico, turístico e de coesão.[[1]](https://observador.pt/2026/04/21/restauracao-responde-a-duvidas-de-alvaro-santos-pereira-ha-uma-crise-que-as-estatisticas-nao-medem/)

Pereira usou gráficos para mostrar estabilidade de margens pré-pandemia e gastos em restaurantes +2,7% reais em 2025, questionando a "propagada" crise.[[1]](https://observador.pt/2026/04/21/restauracao-responde-a-duvidas-de-alvaro-santos-pereira-ha-uma-crise-que-as-estatisticas-nao-medem/)

Key quotes

"Há uma crise na restauração que não entra nas estatísticas."

— AHRESP, em comunicado.[[1]](https://observador.pt/2026/04/21/restauracao-responde-a-duvidas-de-alvaro-santos-pereira-ha-uma-crise-que-as-estatisticas-nao-medem/)

"Menos visitas, menor consumo médio por refeição" e "esmagamento das margens de negócio e sérias dificuldades em sustentar os negócios e os postos de trabalho."

— AHRESP.[[1]](https://observador.pt/2026/04/21/restauracao-responde-a-duvidas-de-alvaro-santos-pereira-ha-uma-crise-que-as-estatisticas-nao-medem/)

Why it matters

O debate expõe tensões entre dados macroeconómicos otimistas e dificuldades reais em microempresas da restauração, pilar do emprego e turismo em Portugal. Para donos de pequenos restaurantes, significa pressão contínua em margens e sobrevivência, apesar de crescimento agregado. A acompanhar são respostas políticas a estes "encerramentos silenciosos" e evolução de custos vs. procura no setor.

FAQ

Q: O que são "encerramentos silenciosos" na restauração?

A: São fechos de micro e pequenas empresas familiares sem comunicação oficial do encerramento da empresa, invisíveis nos indicadores do INE e subestimando dificuldades reais. A AHRESP diz que captam apenas encerramentos formais, como os 1.307 registados em 2025.[[1]](https://observador.pt/2026/04/21/restauracao-responde-a-duvidas-de-alvaro-santos-pereira-ha-uma-crise-que-as-estatisticas-nao-medem/)

Q: Por que a AHRESP contesta os dados de Álvaro Santos Pereira?

A: Argumenta que análises agregadas ocultam assimetrias em 91% de microempresas com fraca resiliência a custos crescentes, apesar de números globais mostrarem crescimento e criação líquida de empresas. Destaca menos visitas e consumo médio, esmagando margens.[[1]](https://observador.pt/2026/04/21/restauracao-responde-a-duvidas-de-alvaro-santos-pereira-ha-uma-crise-que-as-estatisticas-nao-medem/)

Q: Quais aumentos de custos afetam mais a restauração?

A: Alimentação +4,8% em 2025 (+6,4% em março 2026), com legumes +28%, ovos +24%, peixe seco +24%, carne +8%; energia +5,7% em março 2026; remunerações +23% de 2022 a 2025.[[1]](https://observador.pt/2026/04/21/restauracao-responde-a-duvidas-de-alvaro-santos-pereira-ha-uma-crise-que-as-estatisticas-nao-medem/)

Q: Qual o tamanho e composição do setor em 2024?

A: 74.524 empresas e 324.130 trabalhadores; 91% microempresas, 51% ENI, com natureza fragmentada que torna insuficiente a análise global.[[1]](https://observador.pt/2026/04/21/restauracao-responde-a-duvidas-de-alvaro-santos-pereira-ha-uma-crise-que-as-estatisticas-nao-medem/)